27 de abril de 2009

Grandes pensadores na Educação


A revista Nova Escola trouxe, no ano passado, uma edição especial com 41 pensadores que fizeram história, desde a Grécia antiga até os dias atuais e como suas ideias influenciaram a Educação e a prática escolar. Dentre eles estão: Platão, Martinho Lutero, Paulo Freire, Anisio Teixeira, Karl Marx.

Para acessar os textos da edição especial clique aqui.

26 de abril de 2009

Plástico biodegradável será produzido no Brasil em larga escala

Lourenço Canuto - Agência Brasil

Uma empresa brasileira vai produzir anualmente 200 mil toneladas de matéria-prima para a produção de plásticos a partir da cana-de-açúcar, um material totalmente biodegradável que pode se decompor na natureza um ano depois de descartado. O plástico tradicional, que tem o petróleo como matéria-prima, leva mais de 200 anos para degradar-se completamente.


Plástico verde

Outras empresas também já usam tecnologias para produção de plástico biodegradável no país, mas essa experiência é a primeira a funcionar em larga escala. A iniciativa é da empresa petroquímica Braskem que lançou ontem (22) em Triunfo, no Rio Grande do Sul, a pedra fundamental do Projeto Verde da empresa, planta industrial da fábrica cujas obras vão gerar 1.500 empregos.

A unidade deverá estar concluída no final do próximo ano e consumirá investimentos de R$ 500 milhões. Segundo o responsável pela comercialização de polímeros verdes da Braskem, Luiz Nitschke, essa será a primeira operação em escala comercial no mundo da produção de polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável.

Plástico alternativo

Nitschke informou que a produção será destinada ao mercado desse produto alternativo, que consome em todo o mundo 70 milhões de toneladas de polietileno por ano. O consumo de plásticos provenientes de todas as origens chega a 200 milhões de toneladas ao ano, de acordo com ele.

Inicialmente será usada cana proveniente de São Paulo, mas o projeto vai estimular também a exploração da cultura no estado. O zoneamento agrícola da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul foi divulgado na semana passada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Polietileno biodegradável

O polietileno biodegradável vai ser produzido a partir de uma resina sintetizada do etanol e permitirá a fabricação de tanques de combustível para veículos, filmes para fraldas descartáveis, recipientes para iogurtes, leite, xampu, detergentes.

O polietileno é fornecido à indústria em forma de bolinhas que são então transformadas nas embalagens ou em peças para diversas finalidades, como para a indústria de brinquedos.

Nitschke afirma que usar álcool para produzir polietileno não vai provocar impacto na produção de açúcar ou de combustível, tendo em vista a potencialidade do Brasil nessa área. O país, conforme destacou o executivo, produz 500 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e praticamente metade vai para a industrialização do etanol e os 50% restantes para a produção do açúcar.

Artigo original

Biocompósito substitui madeira, plástico e recicla metano de aterros sanitários

Redação do Site Inovação Tecnológica
24/04/2009

Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram um novo material sintético que poderá substituir a madeira, salvando árvores e reduzindo a emissão de gases do efeito estufa.


Plástico biodegradável

Produzida com fibras vegetais e um plástico biodegradável, a "madeira sintética" poderá ser usada em uma ampla variedade de materiais de construção e poderá vir até mesmo a substituir alguns usos dos plásticos petroquímicos hoje utilizados em bilhões de garrafas descartáveis.

"Esta é uma grande oportunidade para fazer produtos que atendam às necessidades da sociedade e respeitem e protejam o meio ambiente," diz a pesquisadora Sarah Billington, que coordenou a pesquisa.

Biocompósitos

Sarah e seu grupo trabalham com uma classe de materiais chamados biocompósitos, materiais compósitos - resultantes da mistura de dois ou mais materiais - que, ao contrário de outros materiais híbridos, são biodegradáveis.

Formados pela junção de fibras naturais aglomeradas por uma resina que faz as vezes de cola, o principal componente dos biocompósitos vem de plantas, mas não da madeira de árvores.

A resina usada para unir as fibras vegetais também é biodegradável, chamada PHB (polihidroxi-butirato).

Reciclando gás metano

Ao contrário dos resíduos de madeira, que ficam nos aterros sanitários por meses ou anos, os biocompósitos decompõem-se em poucas semanas. À medida que se degradam, eles liberam metano, um dos gases causadores do efeito estufa. Contudo, o gás pode ser capturado e reutilizado na fabricação de mais biocompósitos.

"Nós estamos combinando dois processos naturais: Nós estamos usando micróbios que quebram o PHB e liberam gás metano, e diferentes microorganismos que consomem o metano e produzem PHB como suproduto," explica Craig Criddle, outro membro da equipe.

Em termos de contribuição para o aquecimento global, o metano é 22 vezes mais potente do que o dióxido de carbono.

É a última palavra em reciclagem, diz ele. "Em nosso laboratório, nós criamos condições onde somente aqueles organismos que acumulam a maior quantidade de plástico se reproduzem. Nós chamamos o processo de 'sobrevivência do mais gordo'."

Parente desabonador

Contudo, para atingir a fase da comercialização, os novos biocompósitos terão que enfrentar mais do que os desafios tecnológicos. Isso porque as fibras vegetais que se mostraram mais promissoras, tanto em termos de biodegradabilidade, quanto em termos de resistência estrutural, vêm do cânhamo.

O cânhamo é um membro da família cannabis, sendo portanto um primo próximo da maconha. Ao contrário de sua mal-falada prima, ele possui níveis mínimos de THC, o principal ingrediente psicoativo da família. Isso, contudo, não tem sido suficiente para forçar uma mudança na legislação da maioria dos países, que exclui a plantação industrial de toda a família cannabis.

O cânhamo é uma planta que possui inúmeras possibilidades de aplicações científicas e tecnológicas e pode ser inteiramente aproveitada com diversas finalidades. Mas tem sido convencer a sociedade e os legisladores das diferenças entre cânhamo e maconha e, sobretudo, da pertinência de plantá-la em larga escala.

Artigo original

23 de abril de 2009

Lousa eletrônica online


Essa dica eu vi no blog Tecnofagia. Trata-se de uma lousa eletrônica que você pode utilizar em qualquer lugar que tenha uma conexão com a internet.

O site Twiddla cria uma lousa branca em qualquer página da web. É possível fazer marcações, desenhos, incluir figuras, textos, etiquetas, etc. Você pode usar áudio também.

Você convida as pessoas que deverão participar da reunião ou aula e essas pessoas receberão em seus e-mails um link para acessar a seção criada por você no site.


É muito interessante! Crie uma conta ou faça um teste como convidado.

22 de abril de 2009

Divulgação Científica


Os vídeos abaixo são de um programa Salto para o Futuro da TV Escola e podem ser baixados do portal Domínio Público.

O programa com o título Divulgação Científica faz parte de uma série chamada Iniciação Científica: Salto para a Ciência e discute assuntos como: divulgação científica, popularização das Ciências, espaços não-formais e aproximação dos estudantes com a Ciência.


Divulgação Científica (parte 1)


Divulgação Científica (parte 2)


Divulgação Científica (parte 3)

20 de abril de 2009

Kit Básico do Professor


E o pontociência traz mais uma novidade! É o Kit Básico do Professor, uma reunião de recursos que todo professor de Química deve ter à sua disposição! Esse kit faz parte das coleções do site e propõe objetos e atividades acessíveis e fáceis de fazer e utilizar.

O kit ainda está em construção e os objetos e atividades serão adicionados à medida que forem publicados.

19 de abril de 2009

Ciência na Escola


Os vídeos abaixo são de um programa Salto para o Futuro da TV Escola e podem ser baixados do portal Domínio Público.

O programa com o título Ciência na Escola faz parte de uma série chamada Iniciação Científica: Salto para a Ciência e discute vários tópicos sobre o ensino das ciências naturais, como:

  • Relação universidade - escola pública
  • Divulgação científica
  • Contextualização
  • Problemas no ensino de Ciências
  • Problematização do ensino
  • Experimentos em sala de aula
  • Ensino formativo
  • Iniciação científica
  • Metodologia de projetos
  • Papel do professor de Ciências

O programa também mostra exemplos de projetos de iniciação científica de algumas universidades públicas que levam alunos de escolas de Ensino Médio para os laboratórios dessas universidades.


Ciência na Escola (parte 1)


Ciência na Escola (parte 2)


Ciência na Escola (parte 3)

18 de abril de 2009

Limpeza sem química? Não entendi essa matéria!

Já vi muitas pessoas falarem absurdos e já vi anúncios mais absurdos ainda, como:
  • Remédio sem química
  • Pão sem química
  • Remédio natural não faz mal
  • Alisamento de cabelo sem química

E muito mais!

Mas o que eu nunca tinha visto era esse tipo de absurdo escrito numa revista como a Veja. Vou transcrever a matéria abaixo e vocês podem ver a original aqui.

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Limpeza
De volta ao básico


Anna Paula Buchalla
abuchalla@abril.com.br

Produtos comuns na limpeza da casa no passado, vinagre, bicarbonato de sódio, óleo e limão tiveram seu uso com essa finalidade esquecido. Este é o momento ideal para recuperá-los. Além de baratos, eles livram os ambientes da química.

Detergentes, solventes, ceras e lustradores contêm em sua fórmula compostos orgânicos voláteis que poluem o ar e podem causar irritação nas vias respiratórias, fadiga e falta de ar. Sobretudo nesta época do ano, quando as alergias respiratórias atacam com tudo, evitar seu uso é algo a ser considerado. "Muitos produtos de limpeza podem ter efeito irritante", alerta o médico Fábio Morato Castro, do serviço de alergia e imunologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Especialistas consultados por VEJA avaliaram os benefícios da volta aos limpadores naturais.


ÓLEO DE COZINHA


A opinião dos especialistas: os óleos vegetais, como os de oliva, girassol e linhaça, servem para dar brilho
Produtos de limpeza que substitui: lustradores de móveis
Químicas eliminadas na substituição: formaldeído e solvente
Dicas de como usá-lo:
• Para manter janelas e esquadrias de alumínio brilhando – é só limpá-las uma vez por mês com uma mistura de óleo de cozinha e álcool em partes iguais. Em seguida passe um tecido macio ou flanela com óleo e faça o polimento
• Para limpar e lustrar móveis de madeira – Junte duas xícaras de óleo ao suco de um limão. Use um tecido suave para aplicar a mistura

Economia em dinheiro com a troca de produtos*: 65%

SUCO DE LIMÃO

A opinião dos especialistas: a acidez do limão remove a sujeira e as manchas de ferrugem. Misturado ao sal, forma uma pasta especialmente potente na limpeza doméstica
Produtos de limpeza que substitui: água sanitária e removedores de manchas e ferrugem
Químicas eliminadas na substituição: cloro e solvente
Dicas de como usá-lo:
• Para remover a gordura das louças – pode-se adicionar um quarto de xícara de chá de limão direto no frasco de detergente ou diluí-lo em água e aplicar a mistura sobre o material a ser limpo
• Para tirar a ferrugem de objetos como talheres e grelhas – esfregue suco de limão com uma palha de aço
• Para remover manchas de suco e molho de tomate em tecidos – esfregue a mancha com limão, enxágue e deixe secar. Se ainda houver vestígios, molhe a peça em uma solução de um quarto de xícara de água morna, meia colher de chá de detergente e uma colher de sopa de vinagre branco por quinze minutos. Enxágue e lave
• Para alvejar roupas amareladas – Coloque-as de molho em água com pedaços de limão. Elas ficarão cheirosas e sem aparência desbotada

Economia em dinheiro com a troca de produtos: 67%

VINAGRE

A opinião dos especialistas: de todos os limpadores naturais, o vinagre branco é o campeão da limpeza – graças a sua acidez, combate de mofo a gordura e odores fortes
Produtos de limpeza que substitui: detergentes, amaciantes e limpadores multiuso
Químicas eliminadas na substituição: cloro, amoníaco, formaldeído e soda cáustica
Dicas de como usá-lo:
• Para limpar tapetes e carpetes – a cada litro de água, acrescente duas colheres de sopa de vinagre
• Para eliminar cheiro de mofo em armários – coloque uma bacia ou assadeira com vinagre branco puro dentro do móvel vazio. Deixe pernoitar
• Para retirar o cheiro de urina e fezes deixado pelos bichos de estimação – aplique uma solução de dois terços de água morna e um terço de vinagre branco. Depois passe um pouco de vinagre puro sobre o local e deixe secar naturalmente
• Para limpar o fogão depois de uma fritura – deixe um pouco de vinagre sobre a gordura quinze minutos antes de começar a limpeza
Para remover o mofo dos azulejos – Aplique uma boa quantidade de vinagre branco puro com uma escova de dentes velha. Deixe-o agir por duas horas e, depois, lave a superfície com água e sabão
• Para a limpeza do vaso – Despeje o vinagre e deixe-o agir por trinta minutos, depois borrife bicarbonato de sódio em uma escova apropriada e esfregue as áreas manchadas
• Para limpar janelas e espelhos – Dilua três colheres de vinagre em 10 litros de água quente. Se o vidro estiver muito sujo, limpe-o primeiro com água e sabão

Economia em dinheiro com a troca de produtos: 32%

BICARBONATO DE SÓDIO

A opinião dos especialistas: ótima opção para absorver odores e para a limpeza da cozinha. É importante usar luvas ao manejá-lo
Produtos de limpeza que substitui: água sanitária e detergente
Químicas eliminadas na substituição: cloro e formaldeído
Dicas de como usá-lo:
• Para limpar o forno – passe com um pano uma solução de água quente com bicarbonato de sódio
• Para desentupir ralos com gordura – Use uma xícara de sal, uma xícara de bicarbonato de sódio e uma chaleira de água fervendo
• Para a limpeza interna da geladeira – água misturada com bicarbonato de sódio e sabão é uma boa solução
• Para limpar recipientes plásticos manchados – esfregue uma pasta de suco de limão e bicarbonato de sódio
• Para limpar pias de aço inoxidável – basta esfregar a superfície com bicarbonato de sódio e depois enxaguar
• Para soltar alimentos incrustados em panelas ou assadeiras – misture água quente e bicarbonato de sódio. Quando o alimento se soltar, esfregue com uma esponja

Economia em dinheiro com a troca de produtos: 63%

* Economia média na comparação com produtos industrializados


Fotos Istockphotos, Randy Faris/CorbisLatinstock,
Sheila Oliveira, Envision/Corbis/Latinstock, Marco Pinto e Junior

Edu Lopes
ÁGUA E VINAGRE
Na casa da apresentadora
Luisa Mell não entram produtos
químicos: cuidados com a saúde
e preocupação com o ambiente

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Vamos aos absurdos, então:

Segundo o Dicionário Aurélio,

química

[F. subst. do adj. químico; fr. chimique.]

Substantivo feminino.

1.Ciência em que se estuda a estrutura das substâncias, correlacionando-a com as propriedades macroscópicas, e se investigam as transformações dessas substâncias.

2.Tratado ou compêndio dessa ciência.

3.Exemplar de um desses tratados ou compêndios.

4.Conjunto de conhecimentos relativos a esta ciência, ou que têm implicações com ela, ministrados nas respectivas faculdades.

Não é de hoje que vemos como a palavra QUÍMICA é usada de forma a designar tudo aquilo que é industrializado e faz mal. Sim, pois o que é industrializado e faz bem não é QUÍMICO! Querem ver uma prova disso?

Vejam na matéria acima que é mostra a troca de "produtos químicos" por "produtos naturais". Percebam que existe uma observação em * que diz que os valores da economia feita são comparados com os valores de PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Espere aí! Não entendi! Quer dizer que o vinagre e o bicarbonato de sódio utilizados para a concepção da matéria da revista foram produzidos pela jornalista (ou algum encarregado)? Tenho certeza que não! E a dica de misturar o limão no detergente para tirar a gordura da louça? Quem fez esse detergente? A jornalista? E o detergente virou "não química" agora? Ah, tá! É que o detergente é bonzinho, então não deve "ter química"!

Outra coisa: quero ver se a jornalista em questão e a pessoa que a acessorou na matéria (se é que alguém o fez!) passa óleo de soja nos móveis de sua casa! Óleo de soja que, por sinal, deve ser extraído pela própria pessoa que irá utilizar, em seu laboratório particular (quem não tem um em casa, não é mesmo?). E óleo de soja pode ser utilizado, pois é natural, "sem química" e não agride o ambiente! Se não tem "química" não é mau! Pronto! Resolvido!

Agora, vem a pergunta chave: supondo que a matéria seja proveitosa, no sentido da economia doméstica, como essa jornalista sabe que essas trocas são possíveis, como ela sabe que certa substância é mais agressiva do que outra, traz mais ou menos benefícios ao ambiente e ao ser humano? A CIÊNCIA QUÍMICA! É disso que a Química se ocupa, de entender a matéria, de aprender a transformá-la para este ou aquele uso. Perceberam o absurdo de uma pessoa que não tem ideia do que está falando?

Citam uma apresentadora na matéria dizendo que ela não usa produtos químicos em casa. Se eu fosse a apresentadora processaria a revista. Ou, se eu fosse ela e tivesse dito realmente isso, procuraria um remédio para apagar a memória (já existe esse remédio!) e esqueceria esse episódio lamentável! Ou vocês vão acreditar que ela e todas as outras pessoas do mundo, - inclusive aquelas que se dizem naturistas - não se beneficiam com o que a Química produz? Maquiagens, medicamentos, tintas, polímeros, combustíveis, alimentos, bebidas, etc. Quem é que vive "livre de química" (como diz a matéria no seu primeiro parágrafo) hoje em dia e desde que o homem passou a manipular a matéria para diversos usos?

Mesmo antes de existir a ciência Química, as pessoas já manipulavam a matéria, já se utilizavam de conhecimentos sobre reações químicas no seu dia-a-dia. Qual foi um dos principais motivos que fizeram com que o homem passasse de nômade a sedentário? Aprenderam a conservar os alimentos.

A sua avó, que usava sempre chás para curar doenças, sabe muito bem quanto se deve usar por dose. Ela pode não saber o que é concentração molar, dosagem, etc., mas sabe muito bem que, se tomar além da medida, o chá fará mal. Essa ideia de que tudo o que é natural é bom precisa ser apagada da cabeça das pessoas. Tudo depende da dose. Algo muito bom pode se tornar muito ruim se for utilizado em excesso. Não é Química que faz ser assim, mas é ela que te mostra que é assim!

Isso é que é Química. Química não é algo nocivo, não é algo "do mal" como muitas pessoas teimam em difundir. Nossos alunos chegam impregnados dessa visão na sala de aula e cabe ao professor mostrar o que é certo.

E sobre a matéria da revista, acho que os jornalistas que resolvem escrever sobre Ciência deveriam aprender um pouco a respeito ou, pelo menos, procurar acessoria de pessoas que saibam o que estão dizendo, antes e depois de produzirem suas matérias.

Espero que os professores de Química utilizem essa matéria em suas salas de aula no desenvolvimento do pensamento crítico do aluno.

Esse texto faz parte também do blog Roda de Ciência

16 de abril de 2009

Atividades programadas de Ciências no Ponto de Encontro


Hoje são duas dicas. A primeira é o portal Ponto de Encontro da revista Nova Escola. Lá é possível encontrar professores de todo o país e se relacionar com eles como no Orkut. É possível abrir comunidades, fóruns, enviar atividades e arquivos.

A segunda dica é a comunidade certificada de Ciências no Ponto de Encontro, que está promovendo a construção coletiva de uma sequência didática sobre investigação científica na escola. Os participantes que cumprirem todo o programa de atividades receberão certificado da Fundação Victor Civita. Entre aqui para fazer parte da comunidade e participar das atividades programadas.

13 de abril de 2009

Vídeos traduzidos sobre a Tabela Periódica


Primeiro eu gostaria de indicar o site que contém os vídeos originais sobre a Tabela Periódica. Trata-se do The Periodic Table of Videos da University of Nottingham. São muito interessantes, mas em inglês.

Os vídeos legendados em português podem ser vistos aqui.

Veja abaixo como ativar a legenda dos vídeos.



Curso online gratuito sobre ciência e tecnologia


Queria indicar aos leitores um ótimo curso online e gratuito oferecido pela FGV sobre ciência e tecnologia. O curso tem duração de 15 horas e está dividido em unidades. Você pode fazê-lo de acordo com a sua disponibilidade de tempo.

Segundo o site, os objetivos do curso são:
  • Proporcionar uma reflexão sobre ciência e tecnologia, tratando tanto das questões relativas à produção do conhecimento, quanto das influências positivas e negativas da ciência e da tecnologia ao longo da história da humanidade;
  • Iniciar uma discussão tanto sobre as metas quanto sobre os limites da ciência, focalizando a produção do conhecimento - ciência - e sua aplicação - tecnologia;
  • Prever os caminhos a serem percorridos pela ciência, com o desenvolvimento das tecnologias da comunicação e da informação.
Esse curso foi desenvolvido por Elisabeth Silveira, doutora em Linguística e mestre em Língua Portuguesa.

Para acessar o curso clique aqui.


Para ver mais cursos gratuitos online, clique aqui.


Google Acadêmico


Hoje estava dando umas dicas a uma ex-aluno de como encontrar artigos na internet e acabei me tocando de que nem todo mundo conhece o Google Acadêmico, nem todo mundo sabe de suas potencialidades.

Se você quer encontrar um artigo científico sobre determinado assunto e não quer ficar buscando periódico por periódico, volume por volume, a melhor forma de encontrar é usando o Google Acadêmico. A diferença dele para o outro buscador Google é que você será direcionado somente para artigos e livros que contenham a palavra-chave indicada. Para cada resultado você terá ainda várias opções, como: artigos relacionados, quem citou aquele artigo, arquivo em vários formatos (dependendo da disponibilidade), etc.

Além disso, no rodapé da página, aparecerão links para os principais autores que publicam na área relacionada. Assim você poderá também se concentrar em buscar os artigos de determinado autor.

Você pode também escolher relacionar os artigos mais recentes ou todos os artigos e escolher o idioma.

Espero que essa tenha sido uma boa dica para todos! Esse buscador me foi muito útil na época do mestrado.

1 de abril de 2009

A formação do professor de Química

Por Alcione Torres Ribeiro


A crença de que bons professores já nascem prontos não faz mais sentido nos tempos atuais. A visão da menina brincando com suas bonecas como se fossem alunas e ensinando o B + A = BA no quadro negro sempre desperta em nosso imaginário a promessa de uma futura professora. Às vezes a profecia se concretiza, mas muitas vezes não.

Para ser professor é necessário mais que vocação, predisposição, predestinação... Muitas pessoas “caem” na profissão por força das circunstâncias. Nos cursos de graduação que possuem as linhas de Bacharelado e Licenciatura na mesma área de conhecimento costumam aparecer casos de alunos que concluem o Bacharelado e depois cursam a Licenciatura e se justificam dizendo que é mais fácil conseguir um emprego assim. Sempre há vagas no mercado para professores e dificilmente ficarão desempregados.

Então, é necessário que o futuro professor seja preparado para exercer seu papel com responsabilidade e competência. Por essas e outras questões é que o desenvolvimento de pesquisas e publicações na área de formação de professores vem crescendo nos últimos anos. Preocupações relacionadas com a formação profissional do professor e o delineamento das atribuições e necessidades formativas deste profissional são constantes nesses estudos e publicações, como por exemplo, nos trabalhos de Philippe Perrenoud (2000). Em seu livro 10 Novas Competências para Ensinar, Perrenoud propõe um inventário das competências que contribuem para (re)delinear a atividade docente, procurando não abordar as habilidades mais evidentes no ofício docente, mas privilegiar aquelas que emergem atualmente como inovações para a prática educativa. O texto de Perrenoud configura-se como um referencial para ajudar na constituição de projetos de formação de professores e, como um referencial, precisa se adequar à realidade de cada profissional. Outro exemplo é a publicação Aprendizagem Profissional da Docência, organizada por Mizukami e Reali (2002). Nesse livro encontramos textos relativos a pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos, abordando processos de construção profissional da docência, enfatizando diferentes saberes, contextos e práticas educacionais necessárias à formação de professores.

No campo da formação de professores de Química, as questões relacionadas às suas necessidades formativas são das mais importantes nos dias atuais. Ainda existe um número reduzido de material descritivo a esse respeito na área de Ensino de Química, mas é possível fazer uma aproximação dessas necessidades utilizando algumas concepções de pesquisadores importantes nessa área. Para esses pesquisadores, além de conhecer o conteúdo a ser ensinado e dominar métodos e técnicas de ensino, o professor de Química precisa estar atento às necessidades reais de seus alunos e de seu papel na formação de indivíduos capazes de contribuir com suas comunidades, utilizando os conhecimentos e informações adquiridos na escola. Schnetzler e Santos (2000) defendem que o conhecimento químico se enquadra nas preocupações com os problemas sociais que afetam o cidadão, os quais impõem posicionamentos quanto às possíveis soluções. O ensino de Química pode abordar questões relacionadas à utilização diária de produtos químicos, à análise de problemas gerais referentes à qualidade de vida dos seres humanos e aos impactos ambientais gerados pelo desenvolvimento desordenado dos países, ou seja, contextualizar o ensino dos conteúdos de Química, a fim de desenvolver o pensamento crítico dos alunos sobre o mundo que o cerca.

Também é importante que o professor de Química possa preparar e aplicar uma aula experimental de valor educativo real, propiciando o momento de discussão teórico-prática, transcendendo o fenômeno e os saberes cotidianos dos alunos. De acordo com Zanon e Silva (2000), “a relação teoria-prática não pode mais ser vista e tratada nas salas de aula como uma via de mão única, em que a prática comprova a teoria ou vice versa” (p. 120). Os experimentos também não podem ser utilizados apenas como uma forma de motivar os alunos, pois nem todos os alunos sentem-se motivados com aulas práticas. A sala de aula é um campo heterogêneo e, como tal, precisa ser tratado de forma a atingir a todos os sujeitos pertencentes a este campo. Entendo que a diversificação de métodos de ensino é indispensável para que haja um melhor aproveitamento no processo de aprendizagem.

Outra necessidade formativa para o professor de Química apontado por autores da área é o saber relacionado à história e ao modo de construção dos conhecimentos inerentes a esta ciência. Sobre esta questão, Chassot aponta que


[...] buscar ver como se enraíza e é enraizada a construção do conhecimento é cada vez mais uma necessidade para que possamos melhorar nossa prática docente. Esta passa a ser uma exigência importante para que melhor possamos entender os conhecimentos que transmitimos. (CHASSOT, 2003, p. 272)


Pesquisadores da área de Ensino de Química[1] apóiam esta idéia já que em seus estudos sempre fica evidenciado que o professor leva para a sala de aula suas concepções de ciência e essas concepções, apesar de nem sempre serem explícitas, influenciam sobremaneira a forma como o professor entende o Ensino de Química, a forma de abordar os conteúdos e o próprio currículo. Uma pesquisa realizada por Paixão e Cachapuz (2003) em Portugal mostrou que houve uma evolução nas concepções sobre Ciência de professores em formação quando foi aplicado um projeto que envolvia o estudo de História e Filosofia da Ciência e História da Química aliado à construção de uma proposta concreta de ensino para alguns temas da área de Química. As visões evoluíram de um realismo ingênuo para um realismo mais crítico e contextual. Houve também uma evolução da organização do processo ensino-aprendizagem por parte dos professores que participaram do projeto. Sobre esse assunto, Schnetzler (2004) coloca que “o que um professor de Química ensina para seus alunos decorre da sua visão epistemológica dessa ciência” (p. 50). Essas considerações mostram a importância de se formar um professor de Química que apresente visão crítica sobre a ciência que ensina, de como essa ciência constrói e reflete sobre suas teorias.

Outro aspecto importante do ensino de Química a ser observado na formação do professor é o preparo para o uso de analogias nas aulas. Porém, é preciso ter cuidado para que não se confunda analogia com modelo. O professor não pode passar a impressão de que a analogia corresponde ao fenômeno em si ou é a representação deste. Segundo Duarte (2005), uma analogia pode ser entendida como uma comparação baseada em semelhanças entre estruturas de dois domínios de conhecimento diferentes, onde um é conhecido pelo aluno e outro é desconhecido. Geralmente os professores fazem uso das analogias para explicar conceitos que apresentam maior grau de dificuldade em sua elaboração. Uma analogia não subentende a existência de uma igualdade entre as relações que se pretende empreender. Para que uma analogia seja eficiente em seu propósito de ensinar Química é necessário que uma relação já conhecida pelos alunos seja utilizada para explicar a relação ainda desconhecida ou pouco conhecida. Assim, o aluno pode estruturar e assimilar o desconhecido a partir do que já conhece ou entender um conceito abstrato a partir de um conceito concreto. O uso de analogias no ensino de Química auxilia na formação das representações dos fenômenos e das inferências que se pode estabelecer entre elas.

Ao professor de Química também é essencial ter um conhecimento razoavelmente sólido da terminologia, dos objetivos – muitas vezes conflitantes – da ciência química e da sua dimensão cultural e histórica para que possa promover um ensino de Química mais coerente, crítico e humano. Por essas e outras razões não é mais possível enxergar “o exercício do magistério como algo essencialmente simples, para o qual basta saber alguns conteúdos e ‘passá-los’ aos alunos para que estes os ‘devolvam’ da mesma forma nas provas” (MALDANER, 2000, p. 75). A complexidade dos processos de formação de professores nos estimula a pensar nas diferentes dimensões (políticas, sociais, afetivas, epistemológicas, éticas), a ampliar o conceito de formação e a estabelecer relações entre a prática pedagógica e os múltiplos saberes e conhecimentos concernentes a esta, entendendo o ofício de educar como uma prática social. Os problemas da prática docente não são apenas instrumentais e obrigam o professor a tomar decisões num ambiente complexo e singular, onde não cabem receitas prontas produzidas por terceiros (SCHNETZLER, 2002). Para Maldaner (1999), o contexto educacional atual, necessita de “um professor que saiba lidar com o novo, sem esquecer as raízes que o geraram, e saiba distinguir o que é permanente dentro do transitório” e isso só pode tornar-se realidade se pensarmos a formação dos professores em suas diversas instâncias – universidades, escolas, convívio social cotidiano – como algo importante e complexo. É preciso pensar também no professor em constante atualização, em interação positiva com os seus alunos, problematizando suas vivências e convertendo-as “em material de reflexão com base nas construções das ciências e outras formas culturais e, assim, contribuir para a transformação e recriação social e cultural do meio” (MALDANER, 1999, p. 289). As reflexões sobre a formação do professor de Química devem atingir também as dimensões psicológicas, epistemológicas, políticas, ideológicas, não se restringindo apenas à mudança de procedimentos didáticos. Nesse sentido, acredito que é de extrema importância pensar nos aspectos humanos e sociais que envolvem a formação do professor de Química, para que este não continue a ser um mero transmissor de verdades estabelecidas e não se transforme num realizador de aulas práticas sem o mínimo propósito educativo, apenas para tornar a aula mais agradável. É preciso que o professor seja capaz de avaliar o que é melhor para si e para seus alunos, ser o protagonista do processo de transformação do ensino de Química, pesquisando e transformando sua própria prática a partir das necessidades reais de seus alunos.

Um aspecto importante a ser observado é que existe ainda certa deficiência dos cursos de formação inicial e continuada de professores de Química em trabalhar o caráter humano de reflexão e participação, individual e coletiva, suas concepções e crenças sobre a profissão docente. A formação não pode ser entendida como algo externo ao sujeito. Não é possível formar sem que haja a participação efetiva dos sujeitos, sem que haja sua contribuição “na formulação e implantação de políticas de formação, revelando o que sabem, o que desejam, o que querem, o que não querem, o que necessitam, contribuindo com o que têm a dizer, com o que fazem e como pensam e representam o que fazem” (LEITÃO, 2004, p. 27). Costumo ver idéias como estas serem mais discutidas em espaços específicos do campo da formação continuada, porém, é preciso pensar que o estudante ingressa em um curso de formação inicial provido de idéias, crenças, concepções e, algumas vezes, experiências com a docência. Mesmo aqueles que nunca lecionaram trazem conhecimentos construídos durante sua trajetória na escola enquanto estudantes.

As inovações pretendidas no campo do ensino de Química demandam dos professores a aquisição de um conhecimento novo quanto à gestão dos aspectos relacionados à sua prática, como relação teoria-prática, produção e socialização do conhecimento, aspectos político-pedagógicos e político-sociais. Para os professores mais experientes a aprendizagem dessa gestão pode ser bem mais angustiante e tensa, pois é preciso distanciar-se[2] de suas experiências e de suas crenças pessoais e apostar na mudança. Os saberes docentes já adquiridos podem interferir de maneira a limitar ou estimular o desenvolvimento dos professores.



[1] Tais como: Maldaner (2000), Lôbo (2004), Schnetzler (2004), Paixão e Cachapuz (2003).

[2] No sentido de olhar por um outro ângulo, afastar-se para perceber como essas crenças e experiências influenciam sua prática, fazer uma análise crítica e identificar os pontos onde devem acontecer as mudanças.



Referências


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