6 de dezembro de 2007

Apagão do Ensino Médio

Hoje recebi um e-mail sobre um documento do MEC chamado Escassez de professores no Ensino Médio: propostas estruturais e emergenciais. Esse documento é um relatório produzido por uma Comissão Especial instituída para estudar medidas que visem a superar o défcit docente no Ensino Médio.

O que está lá nós já sabíamos, mas agora está escrito num documento do governo! Mas não pensem que porque é um documento do MEC a Comissão foi branda em falar sobre os gritantes problemas do Ensino Médio. A expressão utilizada que mais me chamou a atenção foi "Apagão do Ensino Médio". De acordo com a pesquisa feita pela Comissão, com o advento do FUNDEB (que pretende ampliar o acesso ao Ensino Médio) e considerando os altos índices de evasão dos cursos de licenciatura, o resultado deverá ser um "apagão".

O mais interessante é que na nossa área essa situação de escassez é a pior! De acordo com o documento, o percentual de evasão nos cursos de Licenciatura em Química é de 75% contra uma média de 50% dos outros cursos.

O estudo mostra que, entre as causas apontadas para o baixo interesse dos jovens pela profissão estão: baixos salários, superlotação das salas de aula e violência nas escolas. Qualquer semelhança com sua situação não é mera coincidência, caro colega. Quem de vocês nunca ouviu alguém dizer: "Vai ser professor? Mas você tem capacidade para fazer um curso melhor!". Ou nunca passou pela situação de tentar realizar uma aula prática numa sala com 50 alunos totalmente indisciplinados e desmotivados? E quem nunca ouviu falar ou até passou pela situação de ser ameaçado por algum aluno em sala de aula? Um amigo meu foi ameaçado de ser "furado" por um aluno e chamou a polícia. A direção não gostou da atitude do professor, mas eu teria feito a mesma coisa!

Bom, mas voltando ao assunto, todos nós sabemos porque quase ninguém mais quer ser professor. Para sustentar a família, o sujeito precisa trabalhar 60 horas por semana e ainda assim não consegue levar os filhos à praia no fim do ano! As condições de trabalho são, em sua maioria, ridículas. Desumanas até! Então, como o professor pode ser professor nessa situação? Quando falo de "ser professor" quero dizer que para atuar, o sujeito precisa estudar e se atualizar constantemente; planejar suas aulas de forma que use métodos e recursos diversificados de ensino; preparar aulas práticas; preparar avaliações e corrigi-las; compreender como seus alunos pensam, aprendem e se relacionam com o que aprendem.

Bom, colegas, o que nos resta é tentar fazer com que o que está escrito nesse documento se torne nosso recurso na busca de uma saída para a nossa situação, para que não haja esse "apagão" e, conseqüentemente, a extinção de nossa profissão. Como fazer isso? Ainda não sei e peço a colaboração de vocês no espaço de comentários aí embaixo!

Quem quiser ter acesso ao documento clique aqui.

Grande abraço a todos!

2 comentários:

Anônimo disse...

A evasão dos cursos de licenciatura vão continuar enquanto as faculdades continuarem sem dar importância ao curso e os alunos continuarem desmotivados!
Geralmente as aulas são a noite, e nenhum professor se interessa. além do mais a maior parte dos alunos de licenciatura não faz pesquisa e não publica e ele deixa de ser interessante.

Wesley disse...

O problema, muitas vezes, começa na escolha do curso. Num grande número de casos, a licenciatura é a segunda ou terceira opção do candidato. Ao entrar no curso, o aluno percebe que boa parte dos professores não acreditam nele e que estão mais preucupados com suas pesquisas. Agora, já estagiário, o futuro professor conhece a realidade do ensino, não que não conhecesse, mas certas coisas só vendo para crer. E no final, o abandono do curso é só a conclusão de um processo que começou anos antes.

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