6 de abril de 2008

Pior escola particular supera 75% das estaduais

Transcrevendo a notícia.

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04/04/2008 - 02h30


FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

Os resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) divulgados ontem (3) expuseram o abismo que separa a qualidade do ensino médio privado do público na capital paulista: quase 75% das escolas estaduais tiveram média inferior à do pior colégio particular da cidade (confira o ranking abaixo).

Isso significa que das 572 escolas mantidas pelo governo estadual paulista com nota considerada na prova, apenas 157 ficaram acima da média 50,8, obtida pelo Colégio Integral Inaci, localizado no Jardim Paulista (zona oeste de SP). A escala vai de 0 a 100.

"Poderia ter sido melhor. Acho que os alunos não renderam tudo o que sabiam", avalia a diretora da escola, Tatiana Faro, 37, que não faz críticas aos critérios da avaliação.

Ela conta que, para melhorar na próxima edição, o colégio começou a usar, neste ano, as provas anteriores do Enem nas tarefas e exames.

Excetuando-se o Colégio de Aplicação da USP, que possui regras diferentes do restante do sistema, a melhor escola estadual foi a Rui Bloem, que obteve média 59,3 e ficou em 335º no ranking geral da cidade. A melhor escola da cidade, o Vértice, teve nota 81,7.

"O quadro da escola pública está assustador", afirmou o pesquisador da Fundação Carlos Chagas, Celso Ferretti.

Para Ferretti, os principais problemas da rede são as condições de trabalho dos professores, como longas jornadas devido aos baixos salários e a alta rotatividade dos docentes entre as escolas. Análise semelhante tem a Apeoesp (sindicato dos professores).

A Secretaria da Educação do governo José Serra (PSDB) afirma que espera melhorar a qualidade do ensino "com ações inovadoras implantadas a partir deste ano".

Um dos principais reflexos do "quadro assustador" no sistema estadual é a chance de um aluno da escola pública entrar num vestibular concorrido.

No último exame da Fuvest (que seleciona alunos para a USP), por exemplo, apenas 19% dos aprovados estudaram integralmente na rede estadual.

O percentual de aprovação é ainda menor nos cursos mais concorridos. Em medicina, foi de 3,7%. Os percentuais são reduzidos mesmo com a adoção na universidade de um bônus de 3% na nota do vestibular para os alunos da escola pública.

O ensino técnico foi uma exceção na rede pública na cidade. Entre as dez primeiras no ranking geral, entraram na lista o Cefet-SP (único centro federal mantido pela União na cidade) e a Escola Técnica de São Paulo (do governo do Estado).

Das 11 escolas técnicas estaduais que obtiveram nota no exame, seis ficaram entre as 50 melhores no ranking geral da capital paulista.

Ranking


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Até quando iremos assistir a essa novela? Será que o ensino público terá que ser para sempre a escória da educação brasileira? Queria muito, qunado tiver filhos, colocá-los em escolas públicas, pois acredito que esse quadro pode mudar! Mas precisamos levantar e gritar! Não dá mais para continuar assim, não dá mais para ser jogado de escanteio e fazer de conta que está tudo bem!



2 comentários:

Renê disse...

Esse quadro se agravou no estado de São Paulo, e acho que no Brasil todo, nas duas últimas décadas. Me lembro de quando cursava o Ensino Médio. Os alunos que no meio do ano percebiam que iam ser reprovados se transferiam para as particulares para salvar o ano! Agora é o contrário.
Mas ainda acredito numa recuperação do Ensino Médio Público!

Alcione Torres disse...

Ainda tenho muita esperança na escola pública e luto para isso!

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