2 de fevereiro de 2010

Quasi-cristais exóticos podem representar novo tipo de mineral

Amostra representaria a primeira ocorrência natural dessas complexas estruturas, mas alguns questionam sua origem

por John Matson

Um grupo de pesquisadores afirma ter encontrado em uma amostra mineral da Rússia o primeiro exemplo natural de um quasi-cristal, material incomum que apresenta algumas propriedades típicas de um cristal, mas exibe uma estrutura bem mais complexa. Desde que os quasi-cristais foram caracterizados há 25 anos, diversas versões têm sido criadas em laboratório, mas um exemplo natural indicaria que a natureza é mais diversa do que se pensava.


A estrutura dos quasi-cristais é formada por arranjos ordenados que têm certa simetria, mas não são periódicos – isto é, não podem ser definidos por uma única célula unitária (como um cubo, por exemplo) que simplesmente se repetiria em três dimensões. O termo “quasi-cristal” foi cunhado em 1984 pelos físicos Dov Levine e Paul Steinhardt, que na época trabalhavam na University of Pennsylvania, para descrever a classe de cristais quase-periódicos, logo depois de um outro grupo ter publicado evidências da observação desses materiais.

Em artigo publicado na Science, Steinhardt revelou estar procurando quasi-cristais de ocorrência natural desde o início. A descoberta poderia forçar uma redefinição de minerais para incluir os quasi-cristais.

Para localizar a amostra, Steinhardt e seus colaboradores examinaram substâncias quimicamente semelhantes aos quasi-cristais que já haviam sido sintetizados em laboratório. Essa busca os levou à katirkita, mineral que tinha sido supostamente encontrado nos montes Koriak na Rússia. Uma amostra da Universidade de Florença, na Itália, contendo katirkita, também tinha grânulos de uma liga de alumínio, cobre e ferro que apresentava as características de um quasi-cristal.

Mas a origem desses supostos minerais é motivo de controvérsia entre os petrólogos, cientistas que estudam a estrutura e a formação das rochas. Ligas de alumínio não são facilmente formadas por processos naturais, pois o elemento reage prontamente com oxigênio.

A possibilidade de que o quasi-cristal e os materiais relacionados a ele, incluindo a katirkita, “tenham sido fabricados pelo homem precisa ser avaliada cuidadosamente antes de serem aceitos incontestavelmente como minerais”, verifica Eric Essene, professor emérito de ciências geológicas na University of Michigan em Ann Arbor. “A hipótese de eles serem materiais sintéticos, e não minerais naturais, ainda não foi considerada adequadamente.” A redução eletrolítica de alumínio é um dos processos humanos que podem produzir essa substância.

Os autores admitem que resolver a questão da formação geológica do quasi-cristal “é ainda um desafio sério e fascinante”, mas destacam que o arranjo complexo e variado de minerais presentes na amostra aponta para uma origem natural. No entanto, Essene lembra que, com o uso de altas temperaturas e pressões, os ceramistas e petrólogos experimentais “não têm nenhuma dificuldade em produzir arranjos complexos” de materiais sintéticos em laboratório.

Steinhardt diz que ele e seus colaboradores ainda não descartam os vários processos que poderiam ter formado a amostra. “Como ocorre comumente no caso dos minerais, é muito mais fácil identificá-los e caracterizá-los do que explicar como foram formados”, afirma. “Mas estamos nos dedicando bastante ao assunto, pois pode ser interessante tanto para a geologia como para a ciência dos materiais.”

Ron Frost, petrólogo da University of Wyoming, diz que a maneira como os grânulos de quasi-cristal foram formados é uma questão em aberto. Mas ele observa que serpentinitas como aquelas encontradas associadas à katirkita são “rochas esquisitas” que freqüentemente abrigam minerais igualmente estranhos, muitos dos quais não existem em nenhum outro lugar. “Não vejo nada aqui que me faça dizer ‘Isso é impossível!’”, diz Frost, “e eu já vi coisas estranhas o suficiente nas serpentinitas para aceitar este como apenas mais um exemplo”.

Matéria original: Scientifc American Brasil

27 de janeiro de 2010

Palavras Cruzadas de Química



O professor Emiliano Chemello lançou recentemente no seu site mais um material interessante: Palavras Cruzadas. Este jogo deve ser utilizado para ajudar o aluno a se familiarizar com os termos e a linguagem da Química.

Ao entrar na página com as Palavras Cruzadas, você encontrará duas opções de utilização: um arquivo em pdf para impressão e um link para o jogo em flash, no qual é possível a utilização do jogo online. Também é disponibilizado um arquivo em pdf com as respostas de cada jogo.

Clique aqui para acessar a página.
 
 
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25 de janeiro de 2010

Ciência na Tela: experimentos no retroprojetor

ciência

Ciência na Tela: experimentos no retroprojetor



Autores: Alfredo Luis Mateus, Débora d´Ávila Reis e Helder de Figueiredo e Paula

Editora: UFMG

Informações: É um livro publicado pela Editora UFMG em parceria com o pontociência. Os experimentos reunidos neste livro foram divididos nas três ciências naturais que compõem a maior parte do currículo de ciências na educação básica: química, biologia e física. Eles trazem exemplos de diferentes modos de projetar experimentos por meio de um retroprojetor. A partir desses exemplos, esperamos contribuir para que você desenvolva sua criatividade e crie suas próprias estratégias para realizar atividades com seus estudantes em sala de aula.

Clique aqui para acessar o material suplementar, como vídeos e arquivos que você pode usar nos experimentos.

Agradeço a Alfredo Luis Mateus pela gentileza em me enviar o livro. 
 
 

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22 de janeiro de 2010

Carbópolis: abordagem química de temas ambientais


Sei que muita gente já conhece o software Carbópolis, mas é sempre bom divulgar boas ideias para que aqueles que ainda não tiveram a oportunidade também possam ter acesso.

O Carbópolis "é um programa de computador sobre poluição ambiental desenvolvido para alunos e professores dos diferentes níveis de ensino. O programa utiliza uma estratégia de solução de problemas e motivos lúdicos para abordar alguns conceitos da Química e do Meio Ambiente, relacionados à poluição do ar e à chuva ácida" (Site). O software é distribuído gratuitamente e o download pode ser feito no site do programa clicando aqui. Entre no site, escolha o idioma e clique em DOWNLOAD na barra lateral esquerda. Em seguida abrirá uma página com os links para o download do programa e do banco de dados e com as instruções de instalação.

Façam bom uso desse excelente programa! Se você já o utiliza, deixe um comentário aqui para que possamos conhecer sua experiência com o software.


12 de janeiro de 2010

Os botões de Napoleão

ciência-história

Os botões de Napoleão: as 17 moléculas que mudaram a história


Autores: Penny Le Courteur e Jay Burreson

Editora: Jorge Zahar

Sinopse: Será que podemos explicar o fracasso da campanha de Napoleão na Rússia, em 1812, por algo tão insignificante quanto um botão? Quando exposto a temperaturas baixas, o estanho se esfarela, e todas as fardas dos regimentos de Napoleão eram fechadas com botões feitos desse material. Com estilo cativante, temperado com diversas histórias curiosas, a professora de química Penny Le Couteur e o químico industrial Jay Burreson fazem uma fascinante análise de 17 grupos de moléculas que, como o estanho daqueles botões, influenciaram o curso da história. Essas moléculas produziram grandes feitos na engenharia e provocaram importantes avanços na medicina e no direito. Além disso, determinaram o que hoje comemos, bebemos e vestimos. Ao revelar as espantosas conexões químicas que unem eventos aparentemente não relacionados, os autores esclarecem que:
  • Por causa da química, a colônia Nova Amsterdã tornou-se Nova York.
  • Um contratempo na limpeza da cozinha com um avental de algodão resultou no desenvolvimento dos explosivos modernos e da indústria cinematográfica.
  • A ânsia dos europeus pela cafeína, um alcalóide que vicia, levou à Revolução Chinesa.
  • Foi um laboratório químico que, em busca de um analgésico potente, criou a heroína. 

Agradeço à Editora Jorge Zahar pela gentileza em me enviar o livro.

 


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9 de janeiro de 2010

Formação em serviço de professores de Química

Gente, saiu meu artigo na Revista Investigações em Ensino de Ciências, volume 14, número 3 de 2009, com o título "Formação em serviço de professores de Química: a história de Marina". Este é mais um texto oriundo da minha dissertação de mestrado e espero que vocês leiam, gostem e o utilizem.

Acessem o artigo no site da revista ou façam o download do artigo em pdf aqui.

18 de dezembro de 2009

Construindo um globo de neve


Em clima de Natal, o pontociência traz um experimento muito interessante em que um globo de neve é feito usando ácido benzóico.

Ok, ok, no Brasil não tem neve no Natal (nem em outra época! rsrs), mas acabamos por incorporar essa parte da cultura norte-americana e o que vemos nessa época são árvores enfeitadas com imitações de neve e todo tipo de coisa relacionada ao inverno. Aqui na minha cidade, que faz 45º brincando, as árvores da praça principal foram enfeitadas com aquela fibra de poliester usada em enchimentos de almofadas!

Enfim, nevando ou não por aqui, o experimento é bem legal para se falar sobre solubilidade!

Como você já sabe, no site pontociência os experimentos são descritos passo-a-passo e, no final, é apresentado um vídeo com o resultado. Veja o vídeo abaixo com a primeira parte do experimento e acesse o passo-a-passo e o segundo vídeo aqui.


9 de dezembro de 2009

Para a ciência, filme 2012 não passa de comédia

Na história, neutrinos derretem o núcleo terrestre e provocam outros desastres

por Philip Yam


Durante uma sessão de preestreia do mais novo filme de desastre do diretor Roland Emmerich, 2012, risadas ecoaram pela plateia em algumas cenas, graças a diálogos melodramáticos e situações sentimentaloides (entre as que mais provocaram gargalhadas está a de um pai que tenta se reaproximar, por telefone, de um filho distante, mas, antes mesmo que conseguisse dizer alguma coisa, a casa de seu filho é destruída).

Ninguém leva nada a sério em um filme como esse, em que o atrativo é a destruição por computação digital. Porém, se o público fosse composto por cientistas, os risos provavelmente teriam começado já nos primeiros cinco minutos.

Caso ainda não tenha ouvido falar, 21 de dezembro de 2012 é, supostamente, o dia em que o calendário Maia acaba (na verdade, não é) e isso, portanto, marca de alguma forma o fim da civilização tal qual a conhecemos – não obstante o fato de a civilização maia ter chegado ao fim séculos atrás (a Nasa tem um ótimo site de perguntas e respostas que desmascara esses contrassensos apocalípticos para 2012).

Ainda bem que o filme 2012 não se detém em antigas previsões. Pelo contrário, leva-nos diretamente para a - vamos dizer assim - ciência.

A premissa: o ciclo de atividade solar, com duração de 11 anos, atingirá seu pico em 2012 (uma análise recente, conduzida pela Administração Oceânico-atmosférica Nacional, determinou que esse pico irá ocorrer em maio de 2013 e será menos intenso que o anterior). Por alguma razão, os neutrinos provenientes do Sol começam a se comportar de maneira diferente: passam a interagir mais frequentemente com a matéria, em vez de atravessá-la inofensivamente. Era fácil para os produtores de 2012 terem inventado partículas totalmente novas para essa função – e as chamado de “bambinos”, digamos −, mas talvez isso fosse uma bobagem muito grande.

Na película, os “neutrinos” aquecem o núcleo interno da Terra, derretendo-o. Isso, por sua vez, desestabiliza as camadas mais exteriores (núcleo externo e manto), fazendo com que a crosta se dobre, erga e se desloque por milhares de quilômetros.

Como resultado, arranha-céus tombam, pontes se esfacelam e pistas de aeroportos racham (sempre em direção à decolagem). Pessoas gritam, cãezinhos se salvam, heróis escapam, vilões tentam, mas morrem, e os coadjuvantes encaram seu fim (meu favorito: Danny Glover, famoso por representar um resignado policial em Máquina Mortífera, interpreta o presidente dos EUA, que decide ser trucidado junto com a Casa Branca – e parece estar na iminência de dizer: “Mas faltavam somente dois dias para minha aposentadoria”).

Se os neutrinos se comportassem da maneira pregada pelo filme, então não haveria muito que filmar. Partículas que conseguem aquecer o maciço núcleo interno a milhares de graus torrariam a superfície terrestre antes mesmo que Woody Harrelson tivesse a chance de roubar todas as cenas em que contracenou. O núcleo interno está sob uma pressão de 350 gigapascals (3 milhões de atmosferas), por isso é sólido. Desconhece-se a exata temperatura necessária para que o núcleo se liquefaça sob essa pressão.

Isso não quer dizer que a hiperatividade solar não traga danos. A intensa atividade do Sol pode alterar a órbita dos satélites e interromper sua comunicação; em 1989, isto provocou um blecaute geral ao redor de Quebec.

Por outro lado, os neutrinos podem não ser tão inofensivos. Em 1996, o físico Juan Collar, atualmente na Univesity of Chicago, teorizou que a morte de certos tipos de estrelas poderia gerar muitos neutrinos com grande quantidade de energia, de forma que essas partículas interagiriam com átomos presentes nos tecidos orgânicos, levando a mortes em massa por câncer. Segundo Collar, a frequência com que ocorrem essas mortes estelares – supostamente, muito raras – é consistente com extinções maciças na história da Terra.

Infelizmente, a morte da civilização provocada por formação de tumores provavelmente não cairia muito bem na telona. E todos os cãezinhos também morreriam.


Matéria original: Scientifc American Brasil

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