4 de abril de 2010

Revista Aula Aberta


A Scientific American lançou recentemente a revista Aula Aberta, com reprodução de artigos publicados pela revista Scientific American Brasil e orientações para os professores das áreas de Química, Física, Biologia e Matemática utilizarem o conteúdo em suas aulas.

Uma proposta muito interessante, pois cada artigo é acompanhado de hipertextos para o uso em sala de aula, explicações sobre os conceitos envolvidos, planos de aula, leitura complementar e propostas de atividades.

O número 01 da revista foi lançado em 2009 e trouxe como proposta de trabalho para a Química "O segredo das bolhas de champanhe", abordando conceitos como: dissolução de gases, pressão, Lei de Henry, forças de Van der Waals e fermentação. Acessando o site da editora é possível encontrar este exemplar.

O que está me intrigando bastante é o fato de que a própria editora não parece estar muito interessada em divulgar a revista, em oferecê-la aos professores, pois o segundo número já saiu e não se encontra disponível para venda. Quem tem acesso ao site Moderna Plus pode conferir todo o conteúdo da revista, mas é só! Se você quiser comprar não encontra. Além disso a editora não respondeu os e-mails que enviei pedindo informações sobre a periodicidade da revista e assinatura.

Nesse número 02 o tema tratado é a maior fonte de água tratada do mundo que é a estação de tratamento de Nova Iguaçu (RJ). O texto traz orientações de como trabalhar a concientização ambiental dos alunos na abordagem de conceitos como: misturas, métodos de separação, funções inorgânicas, reações química, equilíbrio químico e soluções.

UPDATE (05/04/2010)

Hoje cedo recebi o e-mail de um rapaz da Moderna Plus, o mesmo que me avisou sobre a publicação da edição número 02 da revista.

Após ler este post ele achou por bem fazer alguns esclarecimentos. Segue a mensagem:

Cara professora Alcione,

Tive a oportunidade de ler o post sobre a revista no seu blog e gostaria de esclarecer alguns pontos.

Todos os professores dos colégios adotantes do Moderna Plus recebem os exemplares da revista além de poder acessá-la através do portal.

Para os não-adotantes, a revista é encontrada nas bancas a um preço sugerido de R$ 6,90.

E esse é o seu primeiro contato que recebo.

Atenciosamente,

Maurílio Estevão Fontanesi


Minha resposta:

Maurilio

Com você esse pode mesmo ser o primeiro contato, mas com a editora Duetto nunca consigo uma resposta e já foram vários e-mails.

Você sabe dizer qual a periodicidade da revista e se ela não for encontrada nas bancas, como devo proceder para comprar ou assinar?

Grata pela atenção.

Alcione Torres


Resposta à minha pergunta:

Alcione,

A revista tem periodicidade trimestral e caso não for encontrada nas bancas pode entrar em contato com a Duetto ou com o consultor comercial da Moderna na sua região.

Atenciosamente,

Maurílio Estevão Fontanesi


E eu respondi:

Acho que será mais fácil com vocês da Moderna mesmo, pois a Duetto não responde.
Obrigada.

Alcione Torres


Continua o mistério sobre o site e a assinatura da revista.

2 de abril de 2010

Cidade do Átomo

atomo
Cidade do Átomo é um software que utiliza uma abordagem de resolução de problemas para o tratamento do tema Radioatividade. Este programa "permite desenvolver uma estratégia pedagógica de jogo de papéis para discussões sobre a produção de energia elétrica através do uso da energia nuclear" (Site). Para fazer o download do software acesse o site http://www.iq.ufrgs.br/aeq/cidatom.htm
 

🏃🏻‍♀️Siga @ensinodequimica no Instagram para ver mais!

 

 

16 de março de 2010

Livros digitais da UNESP


A UNESP lançou uma coleção de livros digitais para download gratuito no site da Cultura Acadêmica. Inicialmente foram lançados 44 livros das diferentes áreas do conhecimento.

Na área de Ensino de Ciências existem dois livros: Ensino de Ciências e Matemática I, com textos sobre formação de professores, e Ensino de Ciências e Matemática II, com textos sobre formação de conceitos.

7 de março de 2010

Para além da Tabela Periódica

Um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, conseguiu a primeira evidência experimental de que núcleos atômicos compostos de antimatéria "estranha" podem ser produzidos pela colisão de íons de ouro em alta energia.

A capacidade para formar em abundância essas partículas exóticas, segundo os autores, poderá ser fundamental para por à prova aspectos fundamentais da física nuclear, da astrofísica e da cosmologia.

O experimento, realizado pela Colaboração Star – que reúne 584 cientistas de 54 instituições em 12 países diferentes – foi produzido no Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC, na sigla em inglês), localizado nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados nesta sexta-feira (5/3) no site da revista Science.

Os coautores brasileiros são Alejandro Szanto Toledo, Alexandre Suaide e Marcelo Munhoz – todos eles professores do Departamento de Física Nuclear do Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP) –, Jun Takahashi, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e seus orientandos de doutorado Rafael Derradi de Souza e Geraldo Vasconcelos.

De acordo com Toledo, que é diretor do IF-USP desde 2006, a participação dos cientistas paulistas na colaboração contou com diversos auxílios da FAPESP. Toledo coordena atualmente o Projeto Temático “Reações nucleares nos regimes relativístico e astrofísico”, apoiado pela Fundação. Takahashi, atualmente na Unicamp, foi seu orientando de pós-doutorado na USP, com Bolsa da FAPESP.

Segundo Toledo, o artigo descreveu a primeira observação da formação de um anti-hipernúcleo. De acordo com ele, uma colisão de íons pesados em alta energia, como a que foi produzida no RHIC, gera uma grande quantidade de partículas. Em tese, quando a energia é superior a duas vezes a massa de determinado hádron, antipartículas desse hádron podem ser geradas, o que ocorre quando a transição de fase é atingida.

“Essas antipartículas são submetidas à coalescência – um processo análogo à condensação – e algumas delas podem agregar, por exemplo, dois antinêutrons e um antipróton, formando um antitrítio – isto é, um núcleo de antimatéria correspondente ao do átomo de trítio – o isótopo do hidrogênio que possui dois nêutrons e um próton”, disse Toledo à Agência FAPESP.

O experimento, segundo o professor, formou hádrons – partículas formadas por quarks, como os prótons e nêutrons – que possuem um chamado quark estranho, formando o chamado hipernúcleo. No modelo padrão da física de partículas, o quark estranho é aquele que possui o novo número quântico conhecido como “estranheza”.

“Esse hipernúcleo formado, que é um antiestranho, é feito de antimatéria. Essa é a primeira vez em que se conseguiu uma evidência experimental de um anti-hipernúcleo. Ou seja, obtivemos um núcleo que está fora do espaço biparamétrico da tabela periódica. Trata-se, portanto, de antimatéria estranha”, explicou Toledo.

Segundo ele, já se havia obtido antiprótons e antielétrons – ou pósitrons. Mas é a primeira vez que se obtém um anti-hipernúcleo, que é algo bem mais complexo e mais raro. “Estamos felizes por termos um grupo de São Paulo participando do trabalho, porque trata-se de fato de uma descoberta”, destacou.
Toledo explicou que a reação foi produzida nos mais altos níveis de energia atingidos pelo RHIC. Essa região de alta densidade de energia foi formada pela colisão de dois núcleos de ouro a 200 gigaelétron-volts (GeV).

“Como se trata de um anel de colisão, a energia no centro de massa é de 200 GeV: uma quantidade de energia suficientemente grande para derreter a matéria nuclear e provocar uma transição de fase. Com isso, conseguimos passar da matéria hadrônica para a matéria conhecida como quark-glúon plasma”, explicou.

Eixo da estranheza

Esse novo estado da matéria nuclear originado da transição de fase, de acordo com Toledo, também foi observado pela primeira vez de forma conclusiva no RHIC. É esse estado que possibilitou a formação da coalescência, produzindo os anti-hipernúcleos.

“Para se ter uma ideia da eficiência do processo, basta dizer que, em 100 milhões de colisões, 70 foram observadas. Para reconhecer essas 70 colisões, foi preciso fazer um trabalho de identificação dessas partículas e de seus descendentes em um meio superpovoado com todas as partículas criadas pela colisão. Algo como encontrar uma agulha em um palheiro. O filtro necessário para detectar essas partículas teve que ser desenhado com extrema precisão”, disse.

A partir desses resultados, segundo Toledo, um dos caminhos possíveis consiste em prosseguir com os experimentos até a construção de uma nova tabela periódica. A próxima meta planejada, de acordo com ele, é a criação de um anti-hélio: uma partícula alfa de antimatéria.

“Quanto mais complexo é o antinúcleo, menor a probabilidade de coalescência. O anti-trítio é composto de três partículas. Mas se quisermos um anti-hélio, vamos precisar de quatro partículas na mesma região do espaço: dois antiprótons e dois antinêutrons. Não será fácil, mas a Colaboração Star irá enveredar por essa direção”, afirmou.

Outro caminho para as investigações, segundo Toledo, consiste em colocar à prova as leis fundamentais da física de partículas. “Por exemplo, sabemos que a tabela periódica até recentemente possuía dois eixos: o número de prótons e o número de nêutrons. Se estendermos a tabela, podemos encontrar também o número de antiprótons e de antinêutrons no mesmo plano. Com isso, poderíamos criar um terceiro eixo na tabela, que nunca foi observado e é perpendicular aos outros dois: o eixo da estranheza”

Por Fábio de Castro

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