4 de agosto de 2008

Revista Eletrônica de Ensino de Química


A Revista Eletrônica de Ensino de Química (REEQ) é a mais nova da área e está sendo lançada esta semana. É um projeto do prof. Adriano Lopes Romero, doutorando em Química pela UNICAMP, "motivado pelos ensinamentos do professor Aloísio Sueo Tanaka, em produzir um espaço de reflexão sobre os vários aspectos do ensino de Química."

A revista trará as seções: Experimentação no Ensino de Química, Relatos de Sala de Aula, Molécula do Mês, Curiosidades e Atualidades em Química , História da Química e Especialistas em Ensino de Química. O editor é o próprio professor Adriano Romero e o conselho editorial é composto por:


Adriano Lopes Romero

Alcione Torres Ribeiro

Álvaro Fontana

Juliana Cortez

Patrícia Valderrama

Rafaelle Bonzanini Romero

Sergio Paulo Severo de Souza Diniz

Vagner Marques Moura


Convidamos a todos os interessados no Ensino de Química a prestigiarem a REEQ e a participar ativamente deste projeto. Enviem seus artigos!

ATENÇÃO: ESTA REVISTA NÃO EXISTE MAIS.


3 de agosto de 2008

Entrevista com o prof. José Luis Barros Silva

Entrevista com o prof. Dr. José Luis de Paula Barros Silva



Você vem de uma área considerada a mais “dura” da Química, que é a Físico-Química. Como e por que você começou a se interessar e trabalhar na área de Ensino de Química?

A físico-química me atrai pela estrutura teórica que possibilita a construção de explicações dos fenômenos materiais. Por outro lado, o ensino me atraiu desde muito cedo, pelo prazer de explicar. Comecei a ministrar aulas de reforço escolar aos quatorze anos e não parei mais. De fato, ao me voltar para o ensino de química não me afastei da físico-química, não só porque sou professor dessa matéria, mas também porque minhas pesquisas em ensino e aprendizagem estão voltadas para os conceitos químicos, o que me traz, sempre e sempre às formulações conceituais físico-químicas. Para ensinar é preciso compreender antes e construir uma nova explicação, para aqueles que sabem menos. Acho que o ensino de química acabou dominando minha pesquisa porque o processo de elaborar explicações didáticas é um desafio intelectual muito gratificante quando dá certo, ou seja: quando ajuda alguém a compreender.


Quais são as suas principais preocupações relacionadas à área? No que você mais investe ao estudar sobre os problemas do ensino de Química nas escolas e/ou universidades?

Interesso-me pela estrutura teórico-conceitual da química, os significados dos termos químicos (e físico-químicos), as relações entre os conceitos, a construção das explicações nos níveis macro e microscópico e como tudo isso pode ser ensinado, do nível fundamental ao superior.


No Programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, onde também leciona e é, atualmente, o coordenador, você costuma ministrar disciplinas relacionadas com teorias de ensino-aprendizagem. Qual ou quais você considera mais adequada(s) para a compreensão dos processos e a aplicação no ensino da Química?

Eu tenho trabalhado com a Teoria da Aprendizagem Significativa há algum tempo, porque tem satisfeito minhas expectativas ao aplicá-la em condições reais de sala de aula. Entretanto, mais recentemente, senti necessidade de entender o processo da produção de significado de um modo mais detalhado, o que essa teoria não alcança. Então, tenho estudado a formação de conceitos segundo Vigotski e pretendo estudar outros autores para dar conta dessa necessidade. Com isso quero dizer que os alcances e limites das teorias é que as tornam adequadas aos problemas que pretendemos resolver. Não há como decidir por uma teoria antes de definir o problema de estudo.


Com relação à formação do professor de Química, como você acha que deve ser? Acha que os modelos que vemos nas universidades atualmente estão no caminho certo? Falta alguma coisa?

A formação do professor de química tem sido objeto de minhas preocupações há alguns anos. Creio que as Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de Professores da Educação Básica (parecer CNE/CP 009/2001) foi um avanço em relação ao sistema 3 + 1, que considera o licenciado em química como um químico com domínio da “arte de ensinar tudo a todos”. Esse tipo de formação, preponderante nas universidades, salvo algumas exceções, não tem funcionado bem. O Núcleo de Pesquisa em Ensino de Química da Ufba tem centrado a discussão e os esforços na articulação da Educação com a Química durante o processo de formação, seja ela inicial ou continuada, porque entendemos que este é um ponto fulcral. Nesse sentido, intervimos no currículo da Licenciatura em Química e introduzimos quatro novos eixos de discussão: o ensino de química como práxis; a história e a epistemologia como próprias do ensino de química; o papel da experimentação no ensino de química; a contextualização no ensino de química. O currículo está em implantação e, daqui a alguns anos, poderemos ter uma avaliação dos resultados. Uma primeira versão do texto onde discutimos esses pontos encontra-se em http:www.sbq.org.br/30ra/worshop.php
. A versão final do artigo deverá ser publicada ainda este ano.


Como um dos fundadores do EDUQUI, como você vê o evento atualmente e o que espera para o futuro? Você acha que o EDUQUI está alcançando seus objetivos? Quais seriam esses objetivos?

O Eduqui tem cumprido o papel de ser momento e lugar de encontro e troca de experiências de professores de química e pesquisadores de ensino de química. A cada Eduqui eu vejo os participantes entusiasmados e ouço comentários elogiosos ao evento. Mas eu gostaria que houvesse mais continuidade das atividades nos intervalos dos congressos para funcionar como um projeto de formação permanente de professores-pesquisadores. Para tanto precisamos de mais pessoal qualificado para dar conta desse projeto. Penso que à medida que formarmos mais pesquisadores em ensino de química na Bahia poderemos avançar nessa direção.


Você está desenvolvendo algum projeto no momento?

Estou desenvolvendo vários projetos em colaboração com colegas, relativos ao ensino e à aprendizagem de conceitos químicos. Temos trabalhado na investigação dos conceitos estruturadores do pensamento químico, buscando elucidar a elaboração histórica de seus significados; na discussão dos conceitos químicos adequados ao nível fundamental de ensino e em como ensiná-los; na formação inicial de professores, conforme comentei acima; no ensino de conceitos específicos, em nível médio e superior.


Este blog é direcionado ao professor de Química e a licenciandos em Química. Alunos do Ensino Fundamental e Médio que estudam Química também passam por aqui, mas acho que os maiores beneficiados pelo blog são mesmo os professores e futuros professores. Então, gostaria que você deixasse alguma mensagem para esses nossos colegas que passam por tantas dificuldades e às vezes acham que nada pode melhorar.

Parece-me que a causa maior da desmotivação dos professores é a falta de reconhecimento da importância social do seu trabalho, mais visível através do baixo salário. Para atacar esse problema é necessária uma organização coletiva para lutar pelas melhorias. O piso salarial nacional que está para ser oficializado pode ser uma ajuda. Quanto ao trabalho propriamente dito, há que se lutar por melhores condições das instalações escolares, por tempo para estudar. Acho que a formação de grupos de estudo formados por professores da educação básica, da educação superior e estudantes de graduação pode ser um modo de incentivar e melhorar o trabalho de todos nós.



Obrigada pela entrevista, prof. José Luis.


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O prof. Dr. José Luis de Paula Barros Silva é graduado em Química, mestre em Física e doutor em Química. Todos os títulos foram obtidos na Universidade Federal da Bahia (UFBA). É professor do Instituto de Química da UFBA e professor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS.


2 de agosto de 2008

O blog no ENEQ de 2008

Foi com muita satisfação que recebi o pedido do professor Attico Chassot para que lhe enviasse informações sobre o blog Ensino de Química, pois iria fazer uma apresentação no XIV Encontro Nacional de Ensino de Química, de 21 a 24 de julho de 2008. Para quem não conhece, Chassot é um dos maiores nomes na área de Ensino de Ciências no Brasil (leia a entrevista que fiz com ele aqui) e sempre está presente nos eventos da área, dando valiosas contribuições e encantando a todos com seu jeito firme e irreverente de palestrar.

A apresentação de Chassot, entitulada "Do livro ao blogue: fazendo alfabetização científica", foi feita na mesa redonda "Educação científica em espaços formais e não formais". Infelizmente eu não estava presente neste evento que tanto gosto, mas recebi do professor as informações passadas aos presentes sobre este blog e outros:

Um dos trechos de sua fala diz que:

"É preciso nos darmos conta do quanto com blogues podemos usufruir de uma rapidação [uso esta palavra que já cunhei há muito, mas que hoje parece conjugar qualidades muito exigentes que estão presentes nos blogues: rapidez + ação] na difusão do conhecimento... um livro chega levar dois anos entre o tempo de entrega a uma Editora e seu ‘vir a lume’. Num blogue o que produzimos hoje, é lido hoje. E mais esses escritos são menos efêmeros que se imagina. Não raro, meses depois de postado um assunto, estamos recebendo retornos ao mesmo. Lamento apenas que nossos leitores não tenham o hábito comentar os escritos. Menos de 5% dos leitores que visitam meu blogue deixam comentários."


O quero dizer sobre isso é que espero que o momento tenha sido de grande proveito a todos e que os blogs e sites de Química sejam sempre valorizados pela comunidade científica e por todos que trabalham com o ensino desta ciência. O que fazemos é muito prazeroso e sempre estamos empenhados em contribuir com a educação científica de crianças e jovens do Brasil. Sei que muitas pessoas, apesar de nem sempre deixarem seus comentários no blog, estão gostando e apoiando este projeto. É o que preciso para estar sempre aqui e a cada dia procurar melhorar e trazer algo de útil, se não for necessariamente novo.

Obrigada ao professor Attico Chassot, aos meus colegas citados acima e a todos os que freqüentam o blog e contribuem para que o ensino de Química seja mais valorizado e efetivo a cada dia.

Abaixo está a apresentação em Power Point que Chassot fez no ENEQ. Existe um texto de apoio, mas este não pôde ser publicado aqui ainda por falta de revisão, segundo o próprio Chassot.


Esse texto faz parte também do blog Roda de Ciência. Por favor, façam seus comentários aqui.

30 de julho de 2008

Partículas subatômicas


O site Como Tudo Funciona lançou mais um ótimo material que o professor pode usar em sala de aula: Como funcionam os aceleradores de partículas.

Sempre se diz aos alunos do Ensino Básico que o átomo é composto de 3 partículas: prótons, neutrons e elétrons. Mas nem sempre se discute sobre as outras partículas, dando a impressão de que o átomo seria mais simples do que realmente é. Geralmente não se fala sobre as forças que atuam sobre as partículas e fazem com que os átomos tenham certas características.

Não estou defendendo um estudo aprofundado sobre o assunto, mas é importante que os alunos tenham a noção do que já se conhece sobre o átomo e como esse conhecimento foi capaz de influenciar nos avanços tecnológicos e no entendimento dos fenômenos que somos capazes de perceber no universo. O texto contido no site é de fácil entendimento e é por isso que estou trazendo como sugestão.

Espero que gostem do material e possam fazer bom proveito dele.


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